A única face que jamais conheceremos é a nossa própria. Podemos nos conhecer de reflexos em espelhos e fotos. Nunca nos vimos cara a cara. “É no reflexo dos olhos da mãe que nos vemos pela primeira vez”. É no reflexo de todas as nossas relações que construímos o nosso próprio senso, “quem” somos. Mas constantemente esquecemos essa condição de dependência. Os espelhos nos enganam, pois frios e vazios, só mostram a nossa vaidade envelhecendo no tempo. Na verdade só conversamos com eles quando não queremos respostas. Nossas relações também enganam, ou se enganam devolvem um reflexo que passa pelos seus critérios, seus valores, suas limitações e depois de um tempo, acabamos dependentes delas. Influenciados criamos uma identidade própria que enganamos a todos e até a nós próprios, mas não nossa mãe. Ela tem um filtro no coração que apaga o tempo, e recupera a inocência. Ela nos mostra a criança, que realmente é o que sempre fomos se despido de outros reflexos. Seria ...
Apego esse momento, essa condição de dependência. Começa com uma busca a procura de um prazer. Começamos correndo atrás e em pouco tempo ele se vira contra nos. No início é o prazer que nos impele, é a satisfação, é a posse, forte, dominante, depois aos poucos ela se volta contra nós e começa a nos possuir. A dependência fica mais intensa que o prazer, e o apego se torna vício. O vício é a falta, sim é o estado intermediário entre duas posses, que nos enlouquece nos aprisiona e quanto maior essa lacuna mais emocionante é o encontro do prazer, somos viciados na falta. De dono à dependente, de senhor á escravo esquecemos de tudo, a busca é nossa única missão e essa se transforma novamente em busca sucessivas e entramos nesse circulo que nos domina. E aí não mais importa se já obtivemos o resultado. Ao conseguirmos queremos mais, para restabelecer a procura. O vício não tem limite, não tem dimensão, é infinito e prossegue até consumir o viciado. Romper o vício é uma dolorosa...