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Cansei de estar só...

Cansei de julgar as pessoas, de me julgar. Agora quero compartilhar. Me libertar do mundo isolado, quero invadir a privacidade dos outros, quero participar de seus lamentos, de suas dúvidas, de seus apegos. Quero me intrometer, me embriagar nos seus sonhos, me pendurar nas suas esperanças, abraçar suas lembranças, me envolver em suas paixões. Chega de só eu, quero mais, quero você, quero eles, quero nós. Por maior que sejam meus desejos, eles não são suficientes para preencher minha vida. Eu preciso do sorriso, do olhar, da ternura, da inocência dos outros. Eu preciso me ver no reflexo de alguém. Eu preciso me entregar para poder criar, para construir. Eu tenho que me que jogar na busca da coesão, do sentido e da razão, no encontro da harmonia, sem ela sou um elo solto, um traço na escuridão, uma fraca penumbra. De mãos dadas, eu percebo o mundo que me rodeia, sinto a força das pessoas, concretizo minha existência. Eu não estou à parte da humanidade, não estou...

Sonhar de dia ou sonhar de noite?

Os propósitos são diferentes. Eu prefiro a noite, a claridade muda o tom, muda o conteúdo. Os olhos fechados entendem a alma que não tem portas e nem janelas ela é transparente, vê o mundo e tudo vê. Os sonhos de dia são mais reais e concretos e tem mais lógica, e criam uma obrigação de realização e uma frustração se isso não acontecer.  Nos sonhos noturnos, fantasmas, bruxas, duendes, seres da noite, não suportam a claridade, por isso invadem nosso pensamento, quando estamos desligados, adormecidos, para nos levar junto a eles a uma aventura inesperada. As figuras da noite são mais ousadas, elas cantam, dançam, somem, reaparecem e se transformam em personagens que aliviam nossa existência. Trabalham nossos significados, complementam nossas angustias, sofrem por nós, se alegram como nós, se emocionam com a gente. À noite o destino não nos persegue, estamos soltos, não há limite, censura, constrangimento, nada se impõem, nem mesmo a nossa vontade. Choramos, rimos, gememo...

Verdade

A grande preocupação de todos nós é a verdade, ou melhor, a busca pela verdade. Queimamos muita energia nesse processo, as pessoas se desgastam, a procura vira conflito, distanciamento, uns de um lado, outros do outro. O que deveria ser algo absoluto vira relativo, o Einstein se fosse filosofo teria tido sucesso aplicando seu conceito de relatividade. É, realmente a verdade depende do observador. Ela não é absoluta, a realidade penetra em cada um como a luz que ao transpassar uma janela vai se distorcendo, se refratando, de acordo com a quantidade de ondulações, impurezas e adesivos que nela existam. Para nós a realidade tem que atravessar uma “janela” cheia de pré-juizos, preconceitos, padrões calcificados, trilhas, hábitos enraizados, que a distorce e a torna única para cada individuo. Realidade passa a ser uma questão de ponto de vista. Mesmo as mais concretas que não requerem juízo de valor, como as coisas, dependem de nossos sentidos e não é possível garantir que o tij...

Indiferença

  Essa cortina transparente, chamada indiferença, que embaça nossos sentidos, essa neblina que gela a nossa mente, que nos torna cristalizados perante o sofrimento dos outros. Essa apatia apaga nossa visão e nos torna mortais limitados, enquadrados numa rotina que nos tira a imaginação, nos remete a atitudes pequenas, esquecendo a grandeza de nossa imortalidade. Voltados para as coisas materiais, removemos nossa inspiração e nos colocamos lado a lado com a miséria, desprovidos de compaixão olhamos os outros com desdém. As pessoas se tornem transparentes, invisíveis, passamos ao largo sem as ver, sem as sentir. Ignoramos suas presenças, suas histórias, com isso ignoramos a nós mesmos, evitamos a nossa presença. Nos encarar , olhar para dentro sem nos julgar, sem nos punir, tolerar nossas fraquezas e enaltecer nossas virtudes, talvez seja a forma de nos revelar, e nos compreender, momento a partir do qual elevaremos nossa grandeza, nossa alma e aí sim podere...

Cansei de estar só

Cansei de estar só Cansei de julgar as pessoas, de me julgar. Agora quero compartilhar. Me libertar do mundo isolado, quero invadir a privacidade dos outros, quero participar de seus lamentos, de suas dúvidas, de seus apegos. Quero me intrometer, me embriagar nos seus sonhos, me pendurar nas suas esperanças, abraçar suas lembranças, me envolver em suas paixões. Chega de só eu, quero mais, quero você, quero eles, quero nós. Por maior que sejam meus desejos, eles não são suficientes para preencher minha vida. Eu preciso do sorriso, do olhar, da ternura, da inocência dos outros. Eu preciso me ver no reflexo de alguém. Eu preciso me entregar para poder criar, para construir. Eu tenho que me que jogar na busca da coesão, do sentido e da razão, no encontro da harmonia, sem ela sou um elo solto, um traço na escuridão, uma fraca penumbra. De mãos dadas, eu percebo o mundo que me rodeia, sinto a força das pessoas, concretizo minha existência. Não estou à parte da hum...