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A vida em equilibrio

Na vida tudo é importante, dizem que saúde é tudo, mas são inúmeros os casos de suicídio, de depressão, etc. por falta de dinheiro, amor, relacionamentos afetivos. O excesso de um não compensa a falta do outro. Na vida o nível de complementaridade é elevado e torna tudo importante. No mundo subjetivo não dá para utilizar o conhecimento, a experiência do outro. No lado das emoções, que atuam sobre o ser humano, não há transferência de conhecimento, como no mundo material, não há ciência exata. Ninguém aprende com a experiência alheia. Aprendemos sozinhos com as nossas, não há conhecimento prévio, formulas que ajudem. Nesse nível de complexidade tudo se torna importante, não dá para separar e tratar nada isoladamente. É como um colchão d’água, qualquer ação em um ponto reflete no todo. Só saúde, só dinheiro, só relacionamento, provocam forte desequilíbrio. A meta torna-se então, buscar o equilíbrio, as dosagens são nesse caso fundamentais. O risco aumenta na medida em que um dos ...

Não nos apaixonemos tanto pela vida

  O motivo é que no final ela pode não ser generosa. Alias essa é sua sina, ela tem que nos preparar para deixa-la. No final seu propósito é nos fazer esquece-la.   É como um amor que tem que necessariamente ter uma separação. Essa separação será menos dolorosa se houver um desapego. Assim ela vai colocando obstáculos, problemas, para que perto do fim nós não mais a queremos tanto e para que percebamos que não está mais valendo muito a pena deseja-la. Nossa saúde, nossos movimentos, nossa memoria, nossas capacidades vão sendo reduzidas e assim passamos a perceber que o mundo que frequentávamos esta se afastando, começamos a nos sentir descolados, estranhos. As conexões com mundo, vãos ficando mais difíceis e nossa capacidade de poder acompanha-lo diminuindo.. E tudo isso é proposital para que não tenhamos mais o desejo de possui-la, pelo menos não tão intensamente como outrora. Se e em vez relutar, percebemos que esse acontecimento é parte de sua missão, fica mais ...

contornos..

Ainda ontem eu era criança e via o mundo do tamanho da minha casa, e a vastidão era o meu quintal. Quando comecei a dominar todo esse espaço, percebi que ele havia crescido, agora tinham as casas vizinhas do outro lado da rua, depois o bairro e assim eu percebi que, apesar de conhecer e dominar esses espaços, eles continuavam a crescer e me desafiar. No inicio era interessante, os espaços traziam outras dimensões, o Conhecimento, a Tecnologia, o Relacionamento, os Valores. , e eu tinha tempo para acompanhá-los. Mas a velocidade de expansão se acelerou, encurtando o mundo e eliminando o tempo; o que era simples ficou mais rápido, porem muito mais complexo. Agora eu faço mais rápido, mas tenho muito mais coisas a atender; estou sufocado pela rotina..... E a expansão continua indiferente ao meu limite. Então uma angustia me tomou de repente: até onde, até quando esses contornos vão continuar a me pressionar? Quando terminarão? Atendo a rotina ou percorro o contorno? Agora adulto vejo q...

Cansei de estar só...

Cansei de julgar as pessoas, de me julgar. Agora quero compartilhar. Me libertar do mundo isolado, quero invadir a privacidade dos outros, quero participar de seus lamentos, de suas dúvidas, de seus apegos. Quero me intrometer, me embriagar nos seus sonhos, me pendurar nas suas esperanças, abraçar suas lembranças, me envolver em suas paixões. Chega de só eu, quero mais, quero você, quero eles, quero nós. Por maior que sejam meus desejos, eles não são suficientes para preencher minha vida. Eu preciso do sorriso, do olhar, da ternura, da inocência dos outros. Eu preciso me ver no reflexo de alguém. Eu preciso me entregar para poder criar, para construir. Eu tenho que me que jogar na busca da coesão, do sentido e da razão, no encontro da harmonia, sem ela sou um elo solto, um traço na escuridão, uma fraca penumbra. De mãos dadas, eu percebo o mundo que me rodeia, sinto a força das pessoas, concretizo minha existência. Eu não estou à parte da humanidade, não estou...

O Projeto

Não é só juntar as coisas necessárias para que se tenha um resultado, eu me lembro de um palestrante que exemplificou dizendo que se colocarmos a disposição num terreno, areia, tijolo, cimento e mão de obra, eles não seriam suficientes para se construir alguma coisa, é necessário ter algo que não é concreto como uma ideia, um projeto para transformar tudo em uma casa, ou uma escola, etc. E é isso que a maioria não consegue perceber, tem que haver um arquiteto que coloque a ideia, que produza o projeto antes de acumular as coisas. Mesmo uma simples semente, exemplificava o palestrante, colocada na terra já carrega consigo o projeto, que prevê que ela vai crescer se transformar numa arvore e gerar frutos. Nos quando nascemos certamente já viemos com esse projeto, muitas vezes não gostamos e tentamos racionalmente altera-lo.   A deformação então causa frustração, desilusão que acabam nos acompanhando por muito tempo até entendermos esse propósito. Um Beija Flor que resolve s...

o Tabuleiro

Um casal se aproximou de Deus e pediu para se apaixonarem. Deus deu uma rosa e acrescentou: a hora que vocês a colocarem num vaso com água o amor acontece. E assim foi. Com o tempo a rosa ficou amarela, pois desencontros começaram a acontecer e assim foi ficando cada vez mais escura. Quando ficou preta o casal voltou a Deus, mostrado-a perguntou o que estaria acontecendo? Simples Deus explicou. O amor é um grande jogo de quebra cabeça, cada jogador tem suas peças e sempre é possível coloca-las, desde que procurem a hora certa e observem onde elas podem ser encaixadas. Essas peças são sentimentos, como tolerância, respeito, etc., e cada um no jogo têm que compreender e colaborar para descobrir a sequencia que o tabuleiro determina. O individualismo, e o egoísmo fazem com que uma pessoa queira colocar suas peças sem observar se elas cabem ali, se dependem de uma peça que o outro não conseguiu ver onde colocar. E o que muda com o tempo nem sempre é percebido, peças diminuem de ...

Mancha d´agua

Magoa é um vaso quebrado que se pode colar, mas não se recompõe o original. Toda tristeza guarda no peito de quem sofre uma magoa que se apaga, mas não se dissolve, é como uma mancha d’água. É só uma pequena lembrança da causa e ela se instala novamente. O que fazer para minimizar seu efeito? O remédio é a substituição, sim substituir os elementos da causa por algo maior que cubra a marca tornando-a invisível. É bem conhecido que: para curar a perda de um amor é substituir por outro.   Mas esse outro terá que ser maior , que roube o impacto do antigo, que inverta o sentido do outro. É cobrir, colando um adesivo, costurando uma nova estampa. Bordando um novo desenho. Afogar as magoa. T ambém não resolve , elas boiam. Tem que ser algo para fixar no fundo, uma ancora. É cobrir um passado que incomoda, com um novo desejo, uma nova esperança. A esperança cria expectativa, cobre com um manto o rancor, apaga a tristeza, esvazia o sentimento de perda que a acompanha....