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A verdade nua e crua

Um conto antigo “A verdade saindo do poço” nos conta, resumidamente, que a verdade e a mentira se despiram para banhar-se num poço. Sorrateiramente a mentira saiu, sem que a verdade percebesse , vestiu as vestes da verdade e sumiu. Quando a verdade saiu do poço ficou nua e crua, pois se recusara a vestir as roupas da mentira. Mas na realidade quem veste a mentira são as pessoas, quem conta pela primeira vez, sabe que é mentira, mas as pessoas com o desejo de que aquela mentira seja verdade a disfarça e a alimenta. Dizer que uma mentira dita muitas vezes se torna verdade é exatamente a manifestação desse desejo. A mentira permanece, e o desejo se concretiza. Como no mundo as aparências predominam, as vestes, o melhor os desejos escondem a mentira para que só se perceba a crosta que a encobre. O emissor é esquecido, o conteúdo é diluído ao longo do trajeto e as vestes se fortalecem com novas camadas e assume o conteúdo, o desejo é sempre o elemento mais forte de realidade. A ...

Voltar a se jovem

  Por que voltar para traz, voltar no tempo? Reviver o que já experimentamos se estamos na frente, mais seguros, mais ponderados, mais cautelosos, mais descomplicados, mais simples, mais conscientes, mais seguros? Será que teria graça? Será que conseguiríamos naturalmente, ou seria um fingimento considerando nossa cabeça atual? Uma hipocrisia considerando os valores que agora cultivamos, um desprezo ao aprendizado o conhecimento que a duras penas foi conseguido. Para que ser jovem? Os elogios e reconhecimentos seriam mais importantes que os atuais? A questão é que os que nos avaliam como jovens e nos vêm dessa forma, são pessoas que estão enxergando a nossa alma.   A alma não tem idade, está sempre jovem, como eterna ela não liga para o tempo. Então se alguém nos chamar de jovem devemos agradecê-lo, pois ele está falando dela.

Ódio e Mágoa tão próximos e tão diferentes

Esses sentimentos aparecem quando percebemos uma atitude em oposição ao nosso senso, nossas convicções, nossas certezas. A diferença entre o ódio e a mágoa é que o ódio é movido por uma energia que nos mantém ativo, alerta, preparado para um desejo de enfrentamento. É uma oposição contra alguma coisa, uma situação, uma pessoa. Ou seja, no ódio o fenômeno é ativo, o fato está fora da pessoa. A preocupação é produzir uma ação contra o fato gerador. Já a magoa ao contrario, nos mantem passivos, a oposição é interna, a energia gerada é consumida contra a própria pessoa que, portanto lutando contra si mesma definha. O ódio é parceiro da vingança a magoa é parceira da tristeza. No ódio colocamos a culpa num elemento externo, na magoa ale fica dentro de nós. É claro que o remédio para ambos é o perdão, assim como é claro que perdoar uma magoa é muito mais difícil. No ódio perdoamos algo externo e com isso nos reintegramos, pois cortamos a ligação e pronto, nos aliviamos e podemos ...

A vida em equilibrio

Na vida tudo é importante, dizem que saúde é tudo, mas são inúmeros os casos de suicídio, de depressão, etc. por falta de dinheiro, amor, relacionamentos afetivos. O excesso de um não compensa a falta do outro. Na vida o nível de complementaridade é elevado e torna tudo importante. No mundo subjetivo não dá para utilizar o conhecimento, a experiência do outro. No lado das emoções, que atuam sobre o ser humano, não há transferência de conhecimento, como no mundo material, não há ciência exata. Ninguém aprende com a experiência alheia. Aprendemos sozinhos com as nossas, não há conhecimento prévio, formulas que ajudem. Nesse nível de complexidade tudo se torna importante, não dá para separar e tratar nada isoladamente. É como um colchão d’água, qualquer ação em um ponto reflete no todo. Só saúde, só dinheiro, só relacionamento, provocam forte desequilíbrio. A meta torna-se então, buscar o equilíbrio, as dosagens são nesse caso fundamentais. O risco aumenta na medida em que um dos ...

Não nos apaixonemos tanto pela vida

  O motivo é que no final ela pode não ser generosa. Alias essa é sua sina, ela tem que nos preparar para deixa-la. No final seu propósito é nos fazer esquece-la.   É como um amor que tem que necessariamente ter uma separação. Essa separação será menos dolorosa se houver um desapego. Assim ela vai colocando obstáculos, problemas, para que perto do fim nós não mais a queremos tanto e para que percebamos que não está mais valendo muito a pena deseja-la. Nossa saúde, nossos movimentos, nossa memoria, nossas capacidades vão sendo reduzidas e assim passamos a perceber que o mundo que frequentávamos esta se afastando, começamos a nos sentir descolados, estranhos. As conexões com mundo, vãos ficando mais difíceis e nossa capacidade de poder acompanha-lo diminuindo.. E tudo isso é proposital para que não tenhamos mais o desejo de possui-la, pelo menos não tão intensamente como outrora. Se e em vez relutar, percebemos que esse acontecimento é parte de sua missão, fica mais ...

contornos..

Ainda ontem eu era criança e via o mundo do tamanho da minha casa, e a vastidão era o meu quintal. Quando comecei a dominar todo esse espaço, percebi que ele havia crescido, agora tinham as casas vizinhas do outro lado da rua, depois o bairro e assim eu percebi que, apesar de conhecer e dominar esses espaços, eles continuavam a crescer e me desafiar. No inicio era interessante, os espaços traziam outras dimensões, o Conhecimento, a Tecnologia, o Relacionamento, os Valores. , e eu tinha tempo para acompanhá-los. Mas a velocidade de expansão se acelerou, encurtando o mundo e eliminando o tempo; o que era simples ficou mais rápido, porem muito mais complexo. Agora eu faço mais rápido, mas tenho muito mais coisas a atender; estou sufocado pela rotina..... E a expansão continua indiferente ao meu limite. Então uma angustia me tomou de repente: até onde, até quando esses contornos vão continuar a me pressionar? Quando terminarão? Atendo a rotina ou percorro o contorno? Agora adulto vejo q...

Cansei de estar só...

Cansei de julgar as pessoas, de me julgar. Agora quero compartilhar. Me libertar do mundo isolado, quero invadir a privacidade dos outros, quero participar de seus lamentos, de suas dúvidas, de seus apegos. Quero me intrometer, me embriagar nos seus sonhos, me pendurar nas suas esperanças, abraçar suas lembranças, me envolver em suas paixões. Chega de só eu, quero mais, quero você, quero eles, quero nós. Por maior que sejam meus desejos, eles não são suficientes para preencher minha vida. Eu preciso do sorriso, do olhar, da ternura, da inocência dos outros. Eu preciso me ver no reflexo de alguém. Eu preciso me entregar para poder criar, para construir. Eu tenho que me que jogar na busca da coesão, do sentido e da razão, no encontro da harmonia, sem ela sou um elo solto, um traço na escuridão, uma fraca penumbra. De mãos dadas, eu percebo o mundo que me rodeia, sinto a força das pessoas, concretizo minha existência. Eu não estou à parte da humanidade, não estou...