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APEGO OU VÍCIO ?

Apego esse momento, essa condição de dependência. Começa com uma busca a procura de um prazer. Começamos correndo atrás e em pouco tempo ele se vira contra nos. No início é o prazer que nos impele, é a satisfação, é a posse, forte, dominante, depois aos poucos ela se volta contra nós e começa a nos possuir. A dependência fica mais intensa que o prazer, e o apego se torna vício. O vício é a falta, sim é o estado intermediário entre duas posses, que nos enlouquece nos aprisiona e quanto maior essa lacuna mais emocionante é o encontro do prazer, somos viciados na falta. De dono à dependente, de senhor á escravo esquecemos de tudo, a busca é nossa única missão e essa se transforma novamente em busca sucessivas e entramos nesse circulo que nos domina. E aí não mais importa se já obtivemos o resultado. Ao conseguirmos queremos mais, para restabelecer a procura. O vício não tem limite, não tem dimensão, é infinito e prossegue até consumir o viciado. Romper o vício é uma dolorosa...

AMAR

  Amar é a perda da razão, é a vitória dos sentidos e das emoções É se encontrar sem estar perdido e se envolver sem ter querido Encarcerar o passado abdicando do futuro para só viver o presente É fechar os olhos esquecer a mente, vagar nos sonhos, libertar as fantasias. Se transformar, se substituir, se trocar por alguém novo, diferente, menos concreto mais etéreo. Deixar se possuir, se envolver, perder o domínio, se entregar, abrir mão de si. Viver o doce estágio de não ter que se prender nem se poupar, sem se cuidar. Amar é liberdade entre as amarras que alguém com encanto nos colocou.   Dominado por esse sentimento superior, diferente, que nos eleva e nos arranca verdades e emoções escondidas que não tínhamos coragem de declarar, de assumir; expostos e ao mesmo tempo fortificados, podemos agora nos deixar levar e desfrutar do lado encantado da nossa existência. O barco está pronto, livre para partir e enfrentar as calmarias e as turbulências de nossa exis...

Indiferença

A indiferença, essa cortina transparente que embaça nossos sentidos, essa neblina que gela a nossa mente, que nos torna cristalizados perante o sofrimento dos outros.   Essa apatia apaga nossa visão e nos torna mortais limitados, enquadrados numa rotina que nos tira a imaginação, nos remete ao labirinto das ações que se funde em atitudes pequenas, esquecendo a grandeza de nossa imortalidade.   Voltados para as coisas materiais, removemos nossa inspiração e nos colocamos lado a lado com a miséria, desprovidos de compaixão olhamos os outros com desdém.   As pessoas se tornem transparentes, invisíveis, passamos ao largo sem as ver, sem as sentir. Ignoramos suas presenças, suas histórias, com isso ignoramos a nós mesmos, evitamos a nossa presença.   Nos encarar, olhar para dentro sem nos julgar, sem nos punir, tolerar nossas fraquezas e enaltecer nossas virtudes, talvez seja a forma de nos revelar, e nos compreender, momento a partir do qual elevaremos ...

O ENCONTRO

  Seus olhos são os meus, porque nós vemos o mesmo mundo.   Seus pensamentos são os meus, porque nós usamos a mesma lógica.   Seus sentimentos são os meus, porque nós nos envolvemos na mesma paixão.   Seu corpo é o meu, porque nós desfrutamos do mesmo desejo.   Sua vida é a minha, porque nós buscamos o mesmo sonho.   Nossas almas se encontraram, porque temos o mesmo destino.   E, nossa partida sera apenas um intervalo , porque o que nos uni é eterno.    

O tempo se perde ?

  O tempo escapa e se perde no espaço, mas não na gente, que sabemos guarda-lo como num porta joias onde se acumulam e nos deixam mais sensíveis A fraca visão, a mansidão do coração, as falsas sinapses cerebrais, são os excessos de tempo acumulados que hoje acredito serem propósitos para criar um estado emocional mais apropriado a nossa evolução. Os anos se acumulam mais que os fatos, e a razão vai se diluindo e perdendo para a emoção, seria como se a vida fosse feita de cores que se misturam em matizes menos definidas, mas que emocionam mais. Após tantos anos cheguei a conclusão que o tempo se acumula dentro de nós para que possamos ver a cada dia as pessoas mais belas aos nossos olhos, mais perfeitas aos nossos julgamentos, mais encantadoras ao nosso coração.

A CHANCELA

  No fim do dia as coisas se fecham, os sonhos se empilham e tudo adormece para se potencializar. O sono pesado conserta o que não foi acabado, interrompendo a ternura da noite que logo passa e que irá se extinguir para um novo dia. A preguiça segura, mas a esperança do Novo empurra para nova jornada. Na jornada tudo se abre novamente, para acumular relações que serão confirmadas no repouso da noite. O saldo positivo das emoções que geramos no convivio diario , para firma-los precisamos  da mistica dos sonhos, pois são eles que dão a credibilidade ao nosso subconsciente ao tira~los da realidade, testá~los e entrega-los descompricados a nossa  razão manhã seguinte. A certificação noturna fecha o ciclo e incorpora o que realmente importou, no nosso interior, criando a consciência. Agora sim, tudo que vivemos nos pertence, e se agrega na nossa verdade. A verdade se constrói aos poucos, em círculos que se abrem e fecham, initerruptamente e na passagem sempre é p...

O sonho maior

Passamos a vida tentando nos encaixar na perspectiva dos outros. Buscamos a aproximação pelo reconhecimento, disputando a atenção, o foco, sempre para atender os sentimentos dos outros. Nos desfiguramos em nome de uma relação, porque a relação é nossa essência. Todas as personalidades se justificam nesse sentido, assim como todos os papeis representados também nos levam à essa realização. Humanos criamos, inventamos laços de apego, formulamos propósitos, sonhos, fantasias, para nos tornarmos mais atraentes à relação. Sem a presença do outro sabemos que a vida não se processa, e ela só se renova na conquista sempre de novas relações. Somos dependentes desse sentimento, somos ébrios dessa sensação e tudo fazemos para mante-la. Nessa circunstância não há gigantes, forte, frágeis, impulsivos, tolerantes, etc. são apenas formas subjetivas de submissão ao nosso desejo maior de reconhecimento. E se  avaliarmos concluiremos que é  isso que nos torna todos iguais, porqu...

Quem envelhece é o Instinto

  O Instinto é rebelde não obedece a ninguém, não acredita? Pede para ele parar a respiração, parar de bater o coração, de não ter mais sono, etc. ele vai te atender? Não, o Instinto é independente de nós e de nossas outras faculdades, o Intelecto e a Intuição, por consequência livre de nossa vontade, fora de nosso domínio, ele segue o ciclo da natureza biológica, nascer, crescer, desenvolver, extinguir. Ele mantém a vida, comanda todas as funções, sem nenhuma ordenação nossa, mesmo querendo não conseguimos impedi-lo e isso é de proposito , pois se ficasse por nossa conta nos esqueceríamos muitas vezes de mandar nosso corpo respirar, tão atarefado que ficamos com as imposições da nossa Razão. O Instinto segue seu ciclo independente e começa a envelhecer, entra na fase de regressão, não mais produzindo a reposição das células, e nesse ponto começamos a envelhecer com ele, sob sua batuta. Nossa razão, tão importante, imponente, as vezes soberba, vai se extinguindo, por falt...

O lado cinza

Se um dia tivermos que ser julgados este não será pelo que fizemos, mas sim pelo que imaginamos, pelos segredos que não quisemos ou não pudemos externar. A imaginação é quase uma realidade, ou melhor, é uma realidade interna que pode não ter valor pratico, mas tem valor ético, moral, que sempre a acompanha. É por aí que seremos avaliados, ódio, vingança, ciúme, e quase todos os pecados são desatados, desabafados no imaginário. Ainda bem que nem tudo que pensamos se realiza, esse intervalo entre o desejo e a possibilidade de realização muitas vezes nos salva de praticarmos algo que depois nos arrependeríamos. Muitos pensamentos são como um vulcão, coisas guardadas, remoídas se fundem e de repente explodem, trazendo resultados que muitas vezes não esperávamos, se quer imaginávamos. O lado cinza, o campo neutro onde praticamos esse jogo sem regras, sem juiz, sem leis, esse lugar, um solo aberto sem limites onde podemos vestir todos os mantos da inocência ou da crueldade para rea...

AS SOBRAS

 Se as pessoas não se dão de verdade os relacionamentos ficam falsos e não duram. Normalmente doamos as nossas sobras, o excedente, ou aquilo que não nos serve mais, não tem mais utilidade. A questão é que muitas vezes fazemos o mesmo com nossos relacionamentos. Não nos entregamos ao nosso parceiro, nem para nossos filhos e amigos. Nossa presença é vaga. Brincamos com nossas crianças com o celular na mão, distraídos, desviados, uma falsa presença. Visitamos parentes quando sobra tempo, quando não temos outra coisa programada, lembramos de nossos amigos só quando deles precisamos. Nossas reuniões presencias se tornaram falsas, na verdade uma reunião de celulares que nem conversam ente si. Uma presença ausente. Continuamos doando “esmolas”, saldos, não focamos nossas relações como prioridade dando o melhor de nós mesmos, não interrompemos nada, não invertemos nossas prioridades para encaixa-las, essas ações são as últimas de nossa lista. Alegamos que não temos tempo, uma velh...

Frustação

  Não se pode ser cantor, ator, profeta, sem dom. Não se pode sonhar com aquilo que não recebemos. A natureza como sempre sabe o que faz, distribui o talento para tornar a vida viável e interessante. São sonhos impossíveis que alimentamos, mas que não temos predicados para fazê-los brotar. É que sonhar é livre, mas nós somos limitados e consequentemente nem sempre é possível atender ao chamado de nossos desejos. O pensamento cria coisas sem antes consultar os nossos limites acreditando que a razão, se utilizando da vontade e da determinação, tudo pode resolver. Mas com o tempo a imposição do jogo da vida começa indicar que estamos esbarrando nos nossos limites e que temos que reformular nossas propostas e isso é necessário, pois se a vida a todos fosse atender o mundo provavelmente teria apenas uns poucos papeis, os mais brilhantes e cômodos, insuficientes para torna-la viável. Não existe vida sem mistério e sem opostos, o sucesso só é bom porque existe a frustação do i...

JULGAR

Julgar é um proceso complexo e dá trabalho mas nossa lei do minimo esforço nos leva a simplificar, passamos então a rotular no primeiro contato, no primeiro olhar, sem nos aprofundamos, carimbamos os outros como falsos, egoístas, soberbos... Julgar leva tempo e  tempo muda em estações para nos mostrar os diversos aspectos de um mesmo lugar ou de uma situação. Imagine então se julgarmos uma pessoa conforme as estações do ano, e se fizermos isso logo no primeiro contato. Se estivéssemos no verão seria alegre e jovial , na primavera , radiante, vistoso ... estaríamos então vendo uma única face, só um aspecto do todo que uma pessoa é. Mas ao contrario do tempo, nos humanos é que estabelecemos nossas estações, que são estados emocionais complexos que vão variando conforme nossa vida vai se desenrolando, assim o julgamento vai depender da estação em que estamos e da que os outros estão daí a possibilidade de uma avaliação ser parcial e falha. Na realidade precisaríamos passar por v...

Perspectiva

  “Educar seu filho para ser feliz e não ser rico” Concordo desde que fique clara a diferença entre: deixar ele feliz  e ensinar ele ser feliz.  Ensinar é prepara-lo para enfrentar diversidades, onde  há momentos em que a felicidade pode ser interrompida. É ter prontidão, estar preparado para aceitar esses períodos e enfrenta-los. Saber que nem tudo é justo como a gente quer que seja.  O ajuste de contas nem sempre é feito pela gente, nem sempre acontece quando a gente quer. Temos que saber  viver com isso. O mundo não é justo, criar expectativa de que algo vai acontecer independente de nossa vontade, de nossa ação é perigoso emocionalmente falando. Se algo inesperado acontece devemos aceitar e agradecer, mas não se trata de uma regra, nem sabemos como fazer para acionar esses eventos, não sabemos quais as posturas, os comportamentos, os pensamentos, as ações que façam com que eles apareçam, estão fora de nosso controle. Temos que ensinara-los a ...

ACHADO

  Estou preso                   a seu olhar e seu sorriso  Arrastado                  por seus beijos e seu gingo  Dominado                  por suas lembranças e pensamentos  Dependente                   de suas palavras e seus conselhos  Envolvido                   em seu amor e seu carinho  Perturbado                   por suas indagações e suas críticas  Influenciado           ...

Ambiguidade

Interessante, “todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morre”. Escutei essa frase e logo me empenhei em buscar uma resposta e a que me apareceu foi esta: as pessoas têm receio de não estar preparadas para a imensidão que vão encontrar. Supõem - se que ao sair de limite físico da existência, entraríamos numa dimensão infinita. O infinito, do qual disfrutávamos só um espaço limitado, sempre existiu, e consequentemente por ser eterno não tem contagem do tempo. O tempo passa a ser uma condição apenas existencial, o infinito é eterno. Ser eterno significa que tudo esta disponível sempre, logo na nossa existência o que fazemos é escolher algumas alternativas que vamos sequencialmente substituindo por outras e com isso criamos a noção de passado e futuro. Na realidade tudo está sempre presente e disponível. Essa é justamente a condição pela qual na Física Quântica a noção de tempo não faz sentido. Instintivamente parece que desconfiamos que estaremos saindo desse lugar onde co...

A verdade nua e crua

Um conto antigo “A verdade saindo do poço” nos conta, resumidamente, que a verdade e a mentira se despiram para banhar-se num poço. Sorrateiramente a mentira saiu, sem que a verdade percebesse , vestiu as vestes da verdade e sumiu. Quando a verdade saiu do poço ficou nua e crua, pois se recusara a vestir as roupas da mentira. Mas na realidade quem veste a mentira são as pessoas, quem conta pela primeira vez, sabe que é mentira, mas as pessoas com o desejo de que aquela mentira seja verdade a disfarça e a alimenta. Dizer que uma mentira dita muitas vezes se torna verdade é exatamente a manifestação desse desejo. A mentira permanece, e o desejo se concretiza. Como no mundo as aparências predominam, as vestes, o melhor os desejos escondem a mentira para que só se perceba a crosta que a encobre. O emissor é esquecido, o conteúdo é diluído ao longo do trajeto e as vestes se fortalecem com novas camadas e assume o conteúdo, o desejo é sempre o elemento mais forte de realidade. A ...

Voltar a se jovem

  Por que voltar para traz, voltar no tempo? Reviver o que já experimentamos se estamos na frente, mais seguros, mais ponderados, mais cautelosos, mais descomplicados, mais simples, mais conscientes, mais seguros? Será que teria graça? Será que conseguiríamos naturalmente, ou seria um fingimento considerando nossa cabeça atual? Uma hipocrisia considerando os valores que agora cultivamos, um desprezo ao aprendizado o conhecimento que a duras penas foi conseguido. Para que ser jovem? Os elogios e reconhecimentos seriam mais importantes que os atuais? A questão é que os que nos avaliam como jovens e nos vêm dessa forma, são pessoas que estão enxergando a nossa alma.   A alma não tem idade, está sempre jovem, como eterna ela não liga para o tempo. Então se alguém nos chamar de jovem devemos agradecê-lo, pois ele está falando dela.

Ódio e Mágoa tão próximos e tão diferentes

Esses sentimentos aparecem quando percebemos uma atitude em oposição ao nosso senso, nossas convicções, nossas certezas. A diferença entre o ódio e a mágoa é que o ódio é movido por uma energia que nos mantém ativo, alerta, preparado para um desejo de enfrentamento. É uma oposição contra alguma coisa, uma situação, uma pessoa. Ou seja, no ódio o fenômeno é ativo, o fato está fora da pessoa. A preocupação é produzir uma ação contra o fato gerador. Já a magoa ao contrario, nos mantem passivos, a oposição é interna, a energia gerada é consumida contra a própria pessoa que, portanto lutando contra si mesma definha. O ódio é parceiro da vingança a magoa é parceira da tristeza. No ódio colocamos a culpa num elemento externo, na magoa ale fica dentro de nós. É claro que o remédio para ambos é o perdão, assim como é claro que perdoar uma magoa é muito mais difícil. No ódio perdoamos algo externo e com isso nos reintegramos, pois cortamos a ligação e pronto, nos aliviamos e podemos ...

A vida em equilibrio

Na vida tudo é importante, dizem que saúde é tudo, mas são inúmeros os casos de suicídio, de depressão, etc. por falta de dinheiro, amor, relacionamentos afetivos. O excesso de um não compensa a falta do outro. Na vida o nível de complementaridade é elevado e torna tudo importante. No mundo subjetivo não dá para utilizar o conhecimento, a experiência do outro. No lado das emoções, que atuam sobre o ser humano, não há transferência de conhecimento, como no mundo material, não há ciência exata. Ninguém aprende com a experiência alheia. Aprendemos sozinhos com as nossas, não há conhecimento prévio, formulas que ajudem. Nesse nível de complexidade tudo se torna importante, não dá para separar e tratar nada isoladamente. É como um colchão d’água, qualquer ação em um ponto reflete no todo. Só saúde, só dinheiro, só relacionamento, provocam forte desequilíbrio. A meta torna-se então, buscar o equilíbrio, as dosagens são nesse caso fundamentais. O risco aumenta na medida em que um dos ...

Não nos apaixonemos tanto pela vida

  O motivo é que no final ela pode não ser generosa. Alias essa é sua sina, ela tem que nos preparar para deixa-la. No final seu propósito é nos fazer esquece-la.   É como um amor que tem que necessariamente ter uma separação. Essa separação será menos dolorosa se houver um desapego. Assim ela vai colocando obstáculos, problemas, para que perto do fim nós não mais a queremos tanto e para que percebamos que não está mais valendo muito a pena deseja-la. Nossa saúde, nossos movimentos, nossa memoria, nossas capacidades vão sendo reduzidas e assim passamos a perceber que o mundo que frequentávamos esta se afastando, começamos a nos sentir descolados, estranhos. As conexões com mundo, vãos ficando mais difíceis e nossa capacidade de poder acompanha-lo diminuindo.. E tudo isso é proposital para que não tenhamos mais o desejo de possui-la, pelo menos não tão intensamente como outrora. Se e em vez relutar, percebemos que esse acontecimento é parte de sua missão, fica mais ...